sábado, 2 de junho de 2012

PROFESSORES ESTÃO A SER TRATADOS COMO MOBILIÁRIO!!!....

Uma vergonha, é o que se está a passar em Bragança!!!
Os docentes  desta cidade e concelho estão a ser tratados como se peça de mobiliário da escola se tratasse.
Alguns senhores da "Carta Educativa", estão a esquecer-se que são professores e estão a esquecer-se dos professores...dos seus direitos legais, do seu direito de opção, do seu direito de ser ouvido!!!! É que os professores, em causa, não foram tidos nem achados!!!!
Pois é... é que quando uma carta educativa, querendo salvaguardar interesses obscuros (ou não, porque para o cidadão informado, são claros como a água), tapados com a "peneira" da continuidade pedagógica, entende colocar no seu articulado (5.13.) que "os professores... cujas escolas mudam de agrupamento deverão transitar com os alunos para o novo agrupamento", não estão senão a  converter estes docentes em peças de mobiliário. Será que não se enxergam? Então estes senhores esqueceram a legislação de concursos, o Estatuto da Carreira Docente....?!!! 
É certo, que já no meu tempo de menino ouvia dizer que "as leis vão para onde querem os reis"!!! Mas, mesmo assim esses "reis" (que o não são... mas que por "graça" do "divino espírito santopolítico???" adquiriram esse poder!!!!) não têm tempo de mudar o Estatuto da Carreira Docente e toda a legislação que o complementa, digo eu!!!! Pois, mas vem um despacho e resolve... claro!!!! Quem se "lixa" é o mexilhão !!!!

Não chegou já a falta de transparência em todo o processo, que decorreu da ocultação de dados fundamentais, agora ainda querem completar o "imbróglio"´com mais esta arbitrariedade e monstruosidade que, para já, se afigura ilegal?!!!

Por que diabo um professor do quadro de um agrupamento, que está numa determinada escola que vai passar para outro agrupamento, tem que acompanhar uma escola que já não é do agrupamento a cujo quadro pertence? Se o professor tem lugar noutra escola do agrupamento a cujo quadro pertence é para aí que legalmente tem de ir (respeitando a graduação profissional), doa a quem doer!!!  E sabemos que dói a muita "boa" gente....
Não queiram deitar poeira para os olhos e contribuam para um estado que se quer de direito.
Não atropelem ninguém para conseguir objetivos que em nada dignificam o ensino a edilidade e a cidade.



sexta-feira, 1 de junho de 2012

2012-06-01 às 12:44

CONCLUÍDA 2ª FASE DO PROCESSO DE AGREGAÇÃO DE ESCOLAS

O Ministério da Educação e Ciência, através da Secretaria de Estado do Ensino e da Administração Escolar, concluiu o processo de agregação de escolas para o próximo ano letivo, após mais de 400 reuniões entre as Direções Regionais de Educação e escolas, agrupamentos e autarquias. Às 115 novas unidades orgânicas definidas na primeira fase, juntam-se agora mais 37, sendo 35 novas agregações e duas novas unidades orgânicas resultantes de uma desagregação. Esta informação foi transmitida ontem, dia 31 de maio, às Direções Regionais da Educação para que contactassem as escolas e autarquias.
Nesta segunda fase foram apresentadas propostas e soluções inovadoras pelas autarquias, consensualizadas com os agrupamentos e escolas não agrupadas no respetivo município. Nalguns casos, estas propostas das autarquias ultrapassam o limite de alunos previamente definido, mas pela especificidade dos casos mereceram a concordância do MEC. Ficou ainda definida a desagregação do Agrupamento de Escolas de Alter do Chão (Portalegre), autonomizando o Agrupamento de Escolas de Alter do Chão e a Escola Profissional de Desenvolvimento Rural de Alter do Chão. Permite-se assim à escola profissional o desenvolvimento do seu projeto educativo, que apresenta especificidades próprias e características únicas.
O processo de agregações ocorreu através de um amplo diálogo em que a maioria dos intervenientes manifestou o seu acordo. Os agrupamentos criados têm uma dimensão racional, e têm em conta as características geográficas, a população escolar e os recursos humanos e materiais disponíveis.
Os novos agrupamentos permitem reforçar o projeto educativo e a qualidade pedagógica das escolas, através da articulação dos diversos níveis de ensino, do pré-escolar ao secundário. Possibilitam que os alunos realizem todo o seu percurso escolar no âmbito de um mesmo projeto educativo, se assim o desejarem. Facilitam o trabalho dos professores, que podem contar com o apoio de colegas de outros níveis de ensino, e ajudam a superar o isolamento de algumas escolas. Permitem também racionalizar a gestão dos recursos humanos e materiais das escolas, dando-lhes o melhor aproveitamento possível. Os estabelecimentos de ensino mantêm a sua identidade e denominações próprias, recebendo o agrupamento uma designação que o identifique.
Com a conclusão da segunda fase deste processo - quase dois meses antes do que em 2010 -, fica assegurada uma preparação atempada e tranquila do ano letivo de 2012/2013. O Ministério da Educação e Ciência reitera o compromisso de terminar a reorganização da rede escolar antes do início do ano letivo de 2013/2014.
  fase da agregação de escolas - novas unidades orgânicas  
(Clica aqui para ver grelha)

 01-06-2012  - 17:48
MINISTÉRIO TERMINOU  AGREGAÇÃO DE ESCOLAS
LEIA-SE : JORNAL DE NOTICIAS ONLINE



Revisão da Estrutura Curricular: 
MEC divulgou novas grelhas
31-05-2012
Clicar aqui (acesso às novas grelhas)



CONCLUÍDA PRIMEIRA FASE DAS AGREGAÇÕES DE ESCOLAS
18-05-2012 - 18:28

Após mais de 350 reuniões entre as Direções Regionais de Educação e escolas, agrupamentos e autarquias, o Ministério da Educação e Ciência concluiu a primeira fase das agregações de escolas para o próximo ano letivo. Este processo resultou em 115 novas unidades orgânicas, conseguidas através de um amplo consenso em que, em cada caso, a maioria dos intervenientes manifestou o seu acordo. Os agrupamentos agora criados têm uma dimensão equilibrada e racional, e têm em conta as características geográficas, a população escolar e os recursos humanos e materiais disponíveis. As agregações agora efetuadas permitem reforçar o projeto educativo e a qualidade pedagógica das escolas, através da articulação dos diversos níveis de ensino, do pré-escolar ao secundário. Permitem que os alunos realizem todo o seu percurso escolar no âmbito de um mesmo projeto educativo, se assim o desejarem. Facilitam o trabalho dos professores, que podem contar com o apoio de colegas de outros níveis de ensino, e ajudam a superar o isolamento de algumas escolas. Permitem também racionalizar a gestão dos recursos humanos e materiais das escolas, dando-lhes o melhor aproveitamento possível. Os estabelecimentos de ensino mantêm a sua identidade e denominações próprias, recebendo o agrupamento uma designação que o identifique. Apesar de largamente concluído no essencial, o diálogo com as autarquias, escolas e agrupamentos continua a ser desenvolvido em alguns concelhos e propostas de agregação. Entre estas encontram-se algumas propostas dos intervenientes que ainda não foram consensualizadas. 
O MEC está a analisar em detalhe as propostas apresentadas ou a aguardar pareceres dos diferentes intervenientes. A conclusão desta segunda fase será divulgada muito em breve, de modo a assegurar a preparação atempada e tranquila do ano letivo de 2012/2013. Todo o processo de reorganização da rede escolar estará concluído antes do início do ano letivo de 2013/2014.

Grelha publicada no site do ministério da educação no dia 18 de maio às 18h e 28m.


* O texto (integral) supra e a grelha foram retirados do site do ministério da educação.

 Esta é a proposta do ministério da Educação, que conforme sempre se soube, contemplava dois Mega Agrupamentos em Bragança e não três, o que vem contrariar a versão da autarquia que argumentava ser proposta do ministério a criação de 3 Mega agrupamentos.
A bem da estabilidade emocional e pedagógica nas escolas e nas famílias esperamos que o absurdo de desagregação de escolas pertencentes ao Agrupamento de Escolas Paulo Quintela não se concretize.
Esperamos se faça luz na próxima reunião e se contrariem políticas que em nada favorecem o ensino, mas sim e talvez interesses de bastidores.

21-05-2012

segunda-feira, 23 de abril de 2012

Repórter TVI' homenageia a Coragem de Ensinar

“Coragem de Ensinar” é uma reportagem da jornalista Conceição Queiroz, com imagem de Gonçalo Prego e montagem de Miguel Freitas. Será emitida no dia 23 de Abril, no “Jornal das 8”.
O “Repórter TVI” ouviu testemunhos de professores que enfrentam as dificuldades que decorrem da experiência de trabalhar com alunos que lhes transformam a vida num inferno, sem deixar de dar voz aos estudantes que provocam esses conflitos.
O que aconteceu para que o professor perdesse prestígio e autoridade? Os professores queixam-se da extrema indisciplina vivida na sala de aula, das ameaças e do desrespeito. Também reconhecem que a classe perdeu prestígio com o passar dos anos.
Mais de 4 mil ocorrências de natureza criminal em contexto escolar foram participadas no ano letivo 2010/2011, no âmbito do programa Escola Segura. O Observatório de Segurança em Meio Escolar registou quase 250 casos de agressões contra professores e funcionários. Ofensas à integridade física, injúrias, vandalismo ou furtos são alguns dos crimes detetados.
in Destak 22-04-2012
imagem: Google

quarta-feira, 18 de abril de 2012


PISA: relatório revela reconhecimento do trabalho
dos professores pelos seus alunos

TELEVISÃO NÃO NOTICIOU...(Porquê? Quem sabe...)


Nem o Miguelito Sousa Tavares. Porque será???
Ora, aqui está algo para animar a malta!
Jornal de Cascais - Domingo, 9 de Janeiro de 2011
Uma Ovelha Negra Não Estraga o Rebanho

No meio da crise sócio/económica e do cinzentismo emocional instalado no país há vários meses, eis que o relatório PISA trouxe algumas boas evidências para Portugal.
E a melhor de todas, a que considero verdadeiramente paradigmática, foi omitida pela maioria dos órgãos de comunicação social: Mais de 90% dos alunos portugueses afirmaram ter uma imagem positiva dos seus professores!
O relatório conclui que os professores portugueses são os que têm a imagem mais positiva de entre os docentes dos 33 países da OCDE, tendo em 2006 aumentado 10 pontos percentuais.
O mesmo relatório conclui que os professores portugueses estão sempre disponíveis para as ajudas extras aos alunos e que mantêm com eles um excelente relacionamento.
Estas evidências são altamente abonatórias para os professores portugueses e deveriam ter sido amplamente divulgadas pelos órgãos de comunicação social (e pelos habituais "fazedores de opinião" luxuosamente remunerados que escrevem para os jornais ou são comentadores na rádio e na televisão) que ostensivamente consideram os professores do ensino básico e secundário uma classe pouco profissional, com imensos privilégios e luxuosas remunerações...
Uma classe profissional que deveria ser acarinhada e apoiada por todos, que deveria ter direito às melhores condições de trabalho (salas de aula, equipamento, formação, etc.) e que tem sido maltratada pelo poder político e por todos aqueles que tinham o dever de estar suficientemente informados para poder produzir uma opinião isenta para os demais membros da comunidade.
Ao conjunto destas evidências acresce outra, onde o papel do professor é determinante: a inclusão.
O relatório revela-nos que Portugal é o sexto pais da OCDE cujo sistema educativo melhor compensa as assimetrias sócio/económicas!
E ainda refere que o nosso país tem a maior percentagem de alunos carenciados com excelentes níveis de desempenho em leitura.
Nada acontece por acaso! Os professores portugueses são excelentes profissionais, pessoas que se dedicam de corpo e alma aos seus alunos, mesmo quando são vilipendiados e ofendidos por membros de classes profissionais tão corporativistas (ou mais!) que a dos professores!

Como diz a quase totalidade dos alunos, os professores são excelentes pessoas que estão sempre disponíveis para ajudar os seus alunos. Esta é que é a realidade dos professores das escolas do ensino básico e secundário!
Obviamente que, como em todas as demais classes profissionais, haverá exceções à regra, aqueles que não cumprem, não assumem as suas responsabilidades, não justificam o ordenado que recebem.
Mas, assim como uma andorinha não faz a primavera, também uma ovelha negra não estraga um rebanho.
Pergunta-se: porque se escondem os arautos da desgraça, detentores da verdade absoluta, que estão sempre na linha da frente para achincalhar os professores do ensino básico e secundário. Estranha-se o silêncio.

Margarida Rufino in Jornal de Cascais [distribuído por correio eletrónico] 

sábado, 10 de março de 2012

Uma crónica de Mia Couto para reflectir


Um Dia Isto Tinha Que Acontecer - por Mia Couto

Está à rasca a geração dos pais que educaram os seus meninos numa abastança caprichosa, protegendo-os de dificuldades e escondendo-lhes as agruras da vida.
Está à rasca a geração dos filhos que nunca foram ensinados a lidar com frustrações.
A ironia de tudo isto é que os jovens que agora se dizem (e também estão) à rasca são os que mais tiveram tudo. Nunca nenhuma geração foi, como esta, tão privilegiada na sua infância e na sua adolescência. E nunca a sociedade exigiu tão pouco aos seus jovens como lhes tem sido exigido nos últimos anos.
Deslumbradas com a melhoria significativa das condições de vida, a minha geração e as seguintes (actualmente entre os 30 e os 50 anos) vingaram-se das dificuldades em que foram criadas, no antes ou no pós 1974, e quiseram dar aos seus filhos o melhor.
Ansiosos por sublimar as suas próprias frustrações, os pais investiram nos seus descendentes: proporcionaram-lhes os estudos que fazem deles a geração mais qualificada de sempre (já lá vamos...), mas também lhes deram uma vida desafogada, mimos e mordomias, entradas nos locais de diversão, cartas de condução e 1.º automóvel, depósitos de combustível cheios, dinheiro no bolso para que nada lhes faltasse. Mesmo quando as expectativas de primeiro emprego saíram goradas, a família continuou presente, a garantir aos filhos cama, mesa e roupa lavada.
Durante anos, acreditaram estes pais e estas mães estar a fazer o melhor; o dinheiro ia chegando para comprar (quase) tudo, quantas vezes em substituição de princípios e de uma educação para a qual não havia tempo, já que ele era todo para o trabalho, garante do ordenado com que se compra (quase) tudo. E éramos (quase) todos felizes.
Depois, veio a crise, o aumento do custo de vida, o desemprego, ... A vaquinha emagreceu, feneceu, secou.
Foi então que os pais ficaram à rasca.
Os pais à rasca não vão a um concerto, mas os seus rebentos enchem Pavilhões Atlânticos e festivais de música e bares e discotecas onde não se entra à borla nem se consome fiado.
Os pais à rasca deixaram de ir ao restaurante, para poderem continuar a pagar restaurante aos filhos, num país onde uma festa de aniversário de adolescente que se preza é no restaurante e vedada a pais.
São pais que contam os cêntimos para pagar à rasca as contas da água e da luz e do resto, e que abdicam dos seus pequenos prazeres para que os filhos não prescindam da internet de banda larga a alta velocidade, nem dos qualquercoisaphones ou pads, sempre de última geração.

São estes pais mesmo à rasca, que já não aguentam, que começam a ter de dizer "não". É um "não" que nunca ensinaram os filhos a ouvir, e que por isso eles não suportam, nem compreendem, porque eles têm direitos, porque eles têm necessidades, porque eles têm expectativas, porque lhes disseram que eles são muito bons e eles querem, e querem, querem o que já ninguém lhes pode dar!
A sociedade colhe assim hoje os frutos do que semeou durante pelo menos duas décadas.
Eis agora uma geração de pais impotentes e frustrados.
Eis agora uma geração jovem altamente qualificada, que andou muito por escolas e universidades mas que estudou pouco e que aprendeu e sabe na proporção do que estudou. Uma geração que colecciona diplomas com que o país lhes alimenta o ego insuflado, mas que são uma ilusão, pois correspondem a pouco conhecimento teórico e a duvidosa capacidade operacional.
Eis uma geração que vai a toda a parte, mas que não sabe estar em sítio nenhum. Uma geração que tem acesso a informação sem que isso signifique que é informada; uma geração dotada de trôpegas competências de leitura e interpretação da realidade em que se insere.
Eis uma geração habituada a comunicar por abreviaturas e frustrada por não poder abreviar do mesmo modo o caminho para o sucesso. Uma geração que deseja saltar as etapas da ascensão social à mesma velocidade que queimou etapas de crescimento. Uma geração que distingue mal a diferença entre emprego e trabalho, ambicionando mais aquele do que este, num tempo em que nem um nem outro abundam.
Eis uma geração que, de repente, se apercebeu que não manda no mundo como mandou nos pais e que agora quer ditar regras à sociedade como as foi ditando à escola, alarvemente e sem maneiras.
Eis uma geração tão habituada ao muito e ao supérfluo que o pouco não lhe chega e o acessório se lhe tornou indispensável.
Eis uma geração consumista, insaciável e completamente desorientada.
Eis uma geração preparadinha para ser arrastada, para servir de montada a quem é exímio na arte de cavalgar demagogicamente sobre o desespero alheio.
Há talento e cultura e capacidade e competência e solidariedade e inteligência nesta geração?
Claro que há. Conheço uns bons e valentes punhados de exemplos!
Os jovens que detêm estas capacidades-características não encaixam no retrato colectivo, pouco se identificam com os seus contemporâneos, e nem são esses que se queixam assim (embora estejam à rasca, como todos nós).
Chego a ter a impressão de que, se alguns jovens mais inflamados pudessem, atirariam ao tapete os seus contemporâneos que trabalham bem, os que são empreendedores, os que conseguem bons resultados académicos, porque, que inveja! que chatice!, são betinhos, cromos que só estorvam os outros (como se viu no último Prós e Contras) e, oh, injustiça!, já estão a ser capazes de abarbatar bons ordenados e a subir na vida.
E nós, os mais velhos, estaremos em vias de ser caçados à entrada dos nossos locais de trabalho, para deixarmos livres os invejados lugares a que alguns acham ter direito e que pelos vistos - e a acreditar no que ultimamente ouvimos de algumas almas - ocupamos injusta, imerecida e indevidamente?!!!
Novos e velhos, todos estamos à rasca.
Apesar do tom desta minha prosa, o que eu tenho mesmo é pena destes jovens.
Tudo o que atrás escrevi serve apenas para demonstrar a minha firme convicção de que a culpa não é deles.
A culpa de tudo isto é nossa, que não soubemos formar nem educar, nem fazer melhor, mas é uma culpa que morre solteira, porque é de todos, e a sociedade não consegue, não quer, não pode assumi-la. Curiosamente, não é desta culpa maior que os jovens agora nos acusam.

sexta-feira, 9 de março de 2012

Carta da Sara a professores, alunos, pais, governantes, cidadãos e quaisquer outros que possam sentir-se tocados e identificados.

por Sara Fidalgo
As reformas na educação estão na boca do mundo há mais anos do que os que conseguimos recordar, chegando ao ponto de nem sabermos  como começaram nem de onde vieram. Confessando, sou apenas uma das que passou das aulas de uma hora para as aulas de noventa minutos  e achei aquilo um disparate total. Tirava-nos intervalos, tirava-nos  momentos de caçadinhas e de saltar à corda e obrigava-nos a estar mais  tempo sentados a ouvir sobre reis, rios, palavras estrangeiras e números  primos.
 Depois veio o secundário e deixámos de ter “folgas” porque passou a haver professores que tinham que substituir os que faltavam e nós ficávamos tristes. Não era porque não queríamos aprender, era porque as “aulas de substituição” nos cansavam mais do que as outras. Os professores não nos conheciam, abusávamos deles e era como voltar ao zero.
Eu era pequenina. E nunca me passou pela cabeça pensar no lado dos professores. Até ao dia 1 de Março.
 Foi o culminar de tudo. Durante semanas e semanas ouvi a minha mãe, uma das melhores professoras de Inglês que conheci, o meu pilar, a minha luz, a minha companhia, a encher a boca séria com a palavra depressão. A seguir vinham os tremores, as preocupações, as queixas de pais, as crianças a quem não conseguimos chamar crianças porque são tão indisciplinadas que parece que lhes falta a meninice. Acreditem ou não, há pais que não sabem o que estão a criar. Como dizia um amigo meu: “Antigamente, fazíamos asneiras na escola e quando chegávamos a casa levávamos uma chapada do pai ou da mãe. Hoje, os miúdos fazem asneiras e os pais vão à escola para dar a dita chapada nos professores”. Sim, nos professores.  Aqueles que tomam conta de tantos filhos cujos pais não têm tempo nem paciência para os educar. Sim, os professores que fazem de nós adultos competentes, formados, civilizados. Ou faziam, porque agora não conseguem.
A minha mãe levou a maior chapada de todas e não resistiu. Desculpem o dramatismo mas a escola, o sistema educativo, a educação especial, a educação sexual, as provas de aferição e toda aquela enormidade de coisas que não consigo sequer enumerar, levaram deste mundo uma das melhores pessoas que por cá andou. E revolta-me não conseguir fazer-lhe justiça.
Professores e responsáveis pela educação, espero que leiam isto e acordem, revoltem-se, manifestem-se (ainda mais) mas, sobretudo e acima de qualquer outra coisa, conversem e ajudem-se uns aos outros. Levem a história da minha mãe para as bocas do mundo, para as conversas na sala dos professores e nos intervalos, a história de uma mulher maravilhosa que se suicidou não por causa de uma vida instável, não por causa de uma família desestruturada, não por dificuldades económicas, não por desgostos amorosos mas por causa de um trabalho que amava, ao qual se dedicou de alma e coração durante 36 anos.
De todos os problemas que a minha mãe teve no trabalho desde que me conheço (todos os temos, todos os conhecemos), nunca ouvi a palavra “incapaz” sair da boca dela. Nunca a vi tão indefesa, nunca a conheci como desistente, nunca pensei ouvir “ando a enganar-me a mim mesma e não sei ser professora”. Mas era verdade. Ela soube. Ela foi. Ela ensinou centenas de crianças, ela riu, ela fez o pino no meio da sala de aulas, ela escreveu em quadros a giz e depois em quadros eletrónicos.
Ela aprendeu as novas tecnologias. O que ela não aprendeu foi  a  suportar a carga imensa e descabida que lhe puseram sobre os ombros  sem sentido rigorosamente nenhum. Eu, pelo menos, não o consigo ver.
E, assim, me manifesto contra toda esta gentinha que desvaloriza os professores mais velhos, que os destrói e os obriga a adaptarem-se a  uma realidade que nunca conheceram. E tudo isto de um momento para  o outro, sem qualquer tipo de preparação ou ajuda.
Esta, sim, é a minha maneira de me revoltar contra aquilo que a minha mãe não teve forças para combater. Quem me dera ter conseguido aliviá-la, tirar-lhe aquela carga estupidamente pesada e que ninguém, a não  ser quem a vive, compreende. Eu vivi através dela e nunca cheguei a compreender. Professores, ajudem-se. Conversem. E, acima de tudo, não deixem que a educação seja um fardo em vez de ser a profissão que vocês escolheram com tanto amor.
Pensem no amor. E, com ele, honrem a vida maravilhosa que a minha mãe teve, até não poder mais.